sábado, 5 de novembro de 2011

Com a palavra: Cecília Meireles.

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.


Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.


Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?
  
Cecília Meireles.

http://www.revista.agulha.nom.br/ceciliameireles.html 

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